domingo, 27 de dezembro de 2009

Chuva de verão

A chuva cai abrupta e com força. Uma cortina branca se faz esfumaçando os lugares ao redor, assim como a minha alma esfumaçada que em alguns momentos fica opaca de tão denso que é o conteúdo por vezes angustiado.

A chuva lava a alma, certo? Eu espero, pois hoje finalmente sinto alguma paz. E com a chega dela parece que não foram só as ruas que limparam, mas algo dentro de mim se torna mais claro.

Pode chover aqui dentro (e isso não é uma metáfora) e neste exato momento essa é a única coisa que me preocupa. Será que as rachaduras do meu quarto são como as rachaduras de meu coração? Em alguns momentos de suposta paz meu coração sangra, assim como sangra o teto de meu quarto quando a chuva cai com a sua mais bela intensidade.
Chuvas de verão são assim: inesperadas, intensas, caóticas.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Fantasmas

Tenho andando por lugares tão distantes de mim.
Não sei qual tem sido a maior dificuldade, mas todos os dias que chego aqui sou abraçado por uma sensação depressiva muito forte. Aqui não é meu lugar, sinto muito meu amigo, mas não me sinto em meu lar. Sinto falta da minha cama e do cheiro que exalava dos lençois. Sinto falta de me sentir pertencendo a algum lugar. Sinto falta da certeza. Há tanto tempo que não durmo de verdade...

Há tantas perguntas para tão poucas respostas. Será que faço perguntas demais? Não sei viver sem fazê-las. E quando a maioria delas não são respondidas, fico assim: confuso, perdido.
Enquanto isso vou machucando pessoas que nunca imaginei machucar. Fazendo sofrer a pessoa a quem prometi proteger. Deveria tatuar uma palavra em letras garrafais no meu corpo: PERIGO! Assim todos saberiam que não devem se aproximar de mim.

Ainda não consegui produzir nada... nenhuma arte. Tanta coisa pra sair de mim e nem ao menos uma foto. O que está acontecendo? Estou exausto. Preciso parar por um tempo, mas simplesmente não consigo. Agora entendo o porquê tanta gente vive agitada, mal pára em casa. Eu suspeitava, mas agora tenho certeza: medo de fantasmas. É quando estamos sozinhos que eles aparecem. Saem de dentro da gente. Parece que estou com medo deles. E eu que sempre fui tão corajoso. Preciso enfrentá-los sozinho. Será que consigo? Ás vezes é o que desejo, mas não é o que consigo. Sozinho. Preciso descobrir mais o significado dessa palavra.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O homem de dois corações

Sinto como se eu tivesse dois corações.

Em um há uma faca fincada. E ela permanece ali por algum tempo sem doer, quase me esqueço que existe algo pressionando meu coração, mas a qualquer toque a dor é aguda. Sei que quando arrancar ela do meu peito a dor será nauseante, e sangrarei até (quase) a morte.

O outro coração é novo, está aprendendo a viver. Como um irmão mais novo, muitas vezes ele segue o mais velho. Com espírito aventureiro devido a sua juventude, algo diz que em breve ele se machucará. Há uma faca apontando pra ele também. Uma faca que ameaça, mas que não se sabe ao certo quando golpeará.

Eu tenho duas mãos.
Em uma há uma faca. Não outra já não há.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

HURT

I hurt myself today
To see if I still feel
I focus on the pain
The only thing that's real

The needle tears a hole
The old familiar sting
Try to kill it all away
But I remember everything

What have I become?
My sweetest friend
Everyone I know goes away
In the end

And you could have it all
My empire of dirt

I will let you down
I will make you hurt..

I wear this crown of thorns
Upon my liar's chair
Full of broken thoughts
I cannot repair

Beneath the stains of time
The feelings disappear
You are someone else
I am still right here

What have I become?
My sweetest friend
Everyone I know goes away
In the end

And you could have it all
My empire of dirt

I will let you down
I will make you hurt

If I could start again
A million miles away
I would keep myself
I would find a way

Composição: Trent Reznor

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Antichrist - Compartilhando a cama

Naquela noite ele foi ao cinema. Assistiu Anticristo de Lars Von Trier.
Foi dormir incomodado. Algo não estava certo naquele quarto.
Não estava sozinho na cama. Algo acariciou sua cabeça enquanto dormia.
Acordou assustado. Sentiu algo macio no travesseiro. Viu uma sombra mas não distinguiu o que era.
Ascendeu a luz e demorou pra entender o que realmente estava ali.
Mesmo sem compreender ele constatou. Um morcego. Um morcego em sua cama.

Antichrist - Luto (grief)

Fossilizado.
Meus lutos sempre foram envolvidos por uma estranha calma. Esse não é diferente. Me sinto anestesiado, quase entorpecido, flutuante. É como se eu não estivesse aqui. Mas às vezes caio e bato forte contra o chão. Eu choro. Um choro dolorido. Sinto uma mão pressionando meu peito por dentro. Minha própria mão! Nessas horas a dor é insuportável! Tento me manter longe dela por enquanto, mas uma hora sei que será inevitável, e então o Caos Reinará!

São dias confusos esses.
Sentimentos misturados por dentro e por fora. Tudo está revirado. Quase não páro para sentir o que está acontecendo. Apenas caminho. Mas há espaços sem volta nessa estrada. Vai piorar? Sim, vai piorar.

Os dias podem se tornar mais confusos e a estranha sensação de leveza e a estranha felicidade que sinto em alguns momentos podem ser substituídos pela dor.
Ainda é luto.
Sinto que todo esse choque de sentimentos fará a casca do fóssil rachar e rachar e rachar, até se partir em milhares de pequenos pedaços. De dentro sairá um novo eu.
Eu preciso dessa descoberta. Que seja então com dor.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Antichrist - understanding & feeling

1º - Grief
2º - Pain (Chaos Reigns)
3º - Despair (Gynocide)
4º - The Three Beggars

I am in the first. Almost in second... When are the next step?

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Can´t stop feeling

Numa época em que a tecnologia avança a toda hora é comum encontrarmos nas áreas criativas grupos que tentam usar isso como a principal parte de seus trabalhos. E aí tudo fica meio igual, uma disputa pra mostrar quem é o mais pirotécnico.

Mas no meio disso tudo não é difícil distinguir quem realmente sabe o que faz.
E no que diz respeito a música, no meio de tantas bandas sem novidades, existe o Franz Ferdinad, uma banda realmente criativa que sabe muito bem onde quer chegar.
Logo nas primeiras músicas já era perceptível a qualidade musical dos caras e a reinvenção de estilo e moda. Visualmente é a banda mais original e inovadora que surgiu nos últimos anos. Seus clipes são sempre criativos, originais e no mínimo, divertidos.

Hoje, quando todo mundo quer mostrar que sabe fazer clipes cheios de efeitos de computação gráfica, a banda de Alex Kapranos mostra mais uma vez que o mais importante é ter uma boa idéia.

O clipe da música "can´t stop feeling" que está no último albúm da banda (Tonight) é extremamente simples e praticamente sem custos extras. Com roteiro criativo, boa execução e abusando de simples montagens de cenas, Franz Ferdinand mostra mais uma vez que é uma banda peculiar e faz de "can´t stop feeling" um dos clipes mais interessantes e divertidos de todos os tempos.

Numa mescla de alternativo e pop, o quarteto de Glasgow é uma lição de que nem sempre devemos nos levar a sério.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

27 Anos

Na adolescência eu e um amigo queriamos ter uma banda. Esse meu amigo era uma pessoa inteligente e "estranha". Essas características fizeram dele a pessoa mais criativa e autêntica que eu conheci na época.
Ele dizia que aos 27 anos cumpriria seu legado criativo e morreria. Assim como nossos queridos Janis, Jim e Kurt.
Hoje, aos 30 anos, ele não poderia ser uma pessoa mais comum. Daqueles que encontramos no ônibus, absorvido em seus pensamentos, preocupado se seu salário de sub-emprego consiguirá sustentar sua família.
O que aconteceu com aquele discípulo de Rimbaud? Onde foi parar aquela pessoa criativa? E a autênticidade? Ao que parece, morreu aos 27 anos.

Há 2 meses completei 27 anos. E há algum tempo tenho sentido que estou morrendo.
Chega uma hora que o mundo nos obriga a deixar de lado a nossa essência e nos transforma num adulto chato e vazio.
Tenho feito e me preocupado com muitas coisas de "adulto", e cansei. Vou parar por aqui. Sem perceber, somos forçados a girar na mesma rotação que todos os outros elementos. Mas há elementos que possuem rotação própria e eu sou um deles.

Começamos a envelhecer e as pessoas a nossa volta começam a morrer. Um a um.
Nesta tarde foi meu tio. Um cara que talvez tenha desistido de ser adulto um pouco tarde.
Me pareço com ele talvez mais do que eu goste de admitir. E silenciosamente ele me deixou uma importante lição que ninguém foi capaz de me dar.

Poucas pessoas nascem com o espírito livre. A maioria emudece sua essência, e aqueles que não suportam, desperdiçam suas vidas de uma forma ou de outra. Kurt Cobain foi uma vítima da fábrica de adultos. Não quero ser como ele, nem como meu amigo e nem como meu tio.

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Agora você faz parte do Universo. Aproveite como só você sabe aproveitar.

terça-feira, 7 de julho de 2009

M&M Genuíno

O fim do mundo está mesmo chegando. Hoje me deparei com a "homenagem" mais ofensiva que poderia ser feita a minha querida Marilyn Monroe: Estou indignada in so many levels.
1. Quem é Mulher Melancia para a história? Para a representação do imaginário feminino universal? Na contribuição com o movimento das mulheres?
2. Por que moro em um país onde uma mulher vulgar e absolutamente inculta se torna capa de uma revista?

3. Por que existe público para um absurdo desses?

4. Quem aqui realmente conhece a profundeza e as várias dimensões da minha querida Marilyn, e que consegue ir além das dezenas de estereótipos que, injustamente, ela tem?


Juro que às vezes preferia não fazer parte deste mundo para presenciar este tipo de afronta.

Preferia fazer parte de uma era em que os conceitos de beleza fossem mais genuínos, que a importância da cultura e inteligência fossem mais importantes e, sobretudo, numa era em que as pessoas fossem mais dignas.
Tem coisas que eu simplesmente não acredito que possam estar acontecendo.


Aqui sim vemos uma grande e brilhante mulher.

Ruh Ribeiro (http://ruhribeiro.blogspot.com)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Topa ou Não Topa?

Há dias que eu claramente me pergunto: "quero continuar ou quero voltar pro meu lugar?"

- Circo. Quando eu era mais novo eu costumava chamar essas situações de circo. Mas circo é uma palavra empregada de forma errada aqui pois a função do circo é divertir. E por mais que os protagonistas dessas histórias consigam me arrancar risos, o sentido disso tudo não tem nada de cômico.

- Civilizados. - Mas quem? Só se for as formigas. Porque ando vendo coisas que me fazem a acreditar que os humanos não o são.
Situações assim mostram claramente que o humano é um animal. Sim, um animal racional como costumam dizer. Um animal que com inteligência superior a das outras espécies conseguiu "dominar o mundo". E isso foi bom pra alguém? Pro planeta é que não foi.

O humano é um ser tão fraco que precisou inventar um artifício para conseguir dominar os outros de sua espécie: o dinheiro. E com ele surgiu inúmeros atos desprezíveis como puxação de saco, lobby, rabo-preso, e por aí vai mais um monte de maneiras "bacanas" de conseguir (mais) dinheiro. Vence quem juntar mais verdinhas no final.
E aqui o ser-humano volta ao jeito que tudo começou. Matando uns aos outros. O civilizado agindo com instinto selvagem.

Não fico chocado pois não tenho ilusão na bondade do ser humano. O ser humano é um bicho, e como todo animal vai fazer de tudo pra ser o dominante do bando. Mas a forma como o ser humano faz isso é o que me deixa enjoado.

E aqueles que compartilham o que sinto, vivem um dilema: esquecer tudo isso e ir para o meio do mato ou tentar superar alguns fatos em troca de certos confortos?
Me vejo conseguindo a versão tupiniquim do "american dream" que é nada mais nada menos que o "sonho da casa própria". Então por enquanto continuo por aqui, girando a roleta. Mas um dia vou querer parar e voltar pro meu lugar.

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A propósito, assistam ao filme "Na Natureza Selvagem" (Into the Wild). O estupendo filme, dirigido e escrito pelo estupendo ator (e diretor) Sean Penn, com uma estupenda trilha sonora feita por Eddie Vedder e com a estupenda interpretação de Emile Hirsh.
Não vou falar muito pra não estragar a experiência. A dica que dou é: em hipótese algume leiam a sinopse. Ela é péssima e parece escrita por alguém que acabou de assitir a um mix de "curtindo a vida adoidado" com "caçadores da arca perdida".
Se você é daqueles que entendeu algo do que eu quis dizer ali em cima, preparem-se, pois após assistir a esse filme, você vai se perguntar "what the fuck am i doing..." todas as vezes que o seu despertador tocar pela manhã.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Palavras que irritam

(Post para distrair em um dia chatinho.)

Existem algumas palavras que, lidas ou ouvidas, me irritam. São palavras que vem carregadas com petulância, com arrogância ou com qualquer tipo de “clima” que serve como uma auto-afirmação para quem a diz/escreve.

Balada: Com certeza, é alguma gíria que foi divulgada por novela ou qualquer um desses programas de massa para jovens. Não me interessa se veio da Malhação ou do Big Brother, o que me interessa é quem a diz: é um jeito fácil e socialmente identificável de dizer “olha como minha vida é boêmia, olha como sou f**”.
Opção não-irritante: festa, festinha, oba-oba.

Bombando: É a morte quando a “balada” estava “bombando”. É quando me aproximo de Hitler e seus ensinamentos. Não só o fulano precisou me contar da “balada”, como, não contente, precisou me mostrar como a vida dele é o máximo pelo fato da balada estar “bombando”.
Opção não-irritante: animada, agitada, ou só o simpático e clássico legal.

Nomes de estilos musicais: Na minha época, quando o Top10 da MTV tinha Pearl Jam e Silverchair, era tão mais simples: as opções existentes eram jazz, rock, pop e o resto que eu não gostava – axé e pagode. Hoje, para saber qual o estilo de música que toca em qualquer lugar, eu preciso de ajuda dos universitários (Wikipédia). E, quanto maior o nome e em inglês, mais moderninha é a banda e a pessoa que a conhece.
Opção não-irritante: rock esquisito, um pop meio diferente, música eletrônica de aliens selvagens do futuro selvagem.

Play(ers): Está aí uma palavra que me irrita in so many levels. O primeiro é aquele papo de gente-executiva-do-bussiness que fala que competidores (concorrentes) são os “players” daquele mercado. Minha nossa. O outro é chamar um CD de play. Para mim, CD é CD e ponto: na minha época não tinha vinil, na minha época o cassete já era escasso, então eu só conheço o CD. Falar “álbum” é até aceitável, mas play?!
Opção não-irritante: ouve esse CD aí, ponto.
Obs.: Alguém no mundo ainda houve CDs ou todos já foram abduzidos pelo mp3?

Mercado: Outro papo de gente-executiva-do-bussiness que me irrita, com as variações daqueles que querem se sentir importantes e, quando começam a procurar emprego, dizem que “estão abertos ao mercado”. Aliás, qualquer coisa que venha deste segmento da sociedade, me irrita. Mercado é onde faço as compras do mês.
Opção não-irritante: Para essa gente não existe essa opção.

Aura, perfume, estética e variações: Essas são típicas do pseudo-intelectual ou do pseudo-escritor. São palavras bonitas e que causam impacto, se quem lê não percebe na armadilha que está caindo. “Aura de terror”, “perfume de década de 40”, “estética noir” – por que as pessoas não utilizam sinônimos com o significado certo?
Opção não-irritante: clima de terror, jeitão de década de 40, estilo noir.

Inicializando, startando, tunando e variações: Globalizar, ok. Aprendermos a falar inglês, ok. Transformar palavras em inglês para o português, com direito a conjugações verbais – aí não. Não só é o assassinato do nosso lindo português como é o assassinato do inglês. O pior, ainda, é ouvir estas palavras de quem não sabe falar direito nem um, nem outro.
Opção não-irritante: para tudo existe um verbo em português. Vai por mim.

Vou criar um dicionário. Juro que sou capaz de achar uma infinidade destas palavras.


Ruh Ribeiro (http://ruhribeiro.blogspot.com)

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Podcast e a recriação das Rádios de k7

A tecnologia é uma coisa estranha. Um dos dons dela é a capacidade de tornar uma coisa antes considerada infantil, em algo cult.
Um bom exemplo disso é o podcast. Falando porcamente, podcast nada mais é do que uma espécie de programa de rádio. Você grava o áudio do seu programa e disponibiliza em algum lugar na internet onde alguém poderá ouvi-lo online ou baixar para ouvir a qualquer hora.
Um dia desses, meu amigo Leo, me enviou o link do primeiro podcast dele e que está disponibilizado no site gengibre. Este site é um lugar onde qualquer um pode gravar aquilo que lhe der na telha, fazer o seu podcast e disponibilizar para as pessoas ouvirem. Boa idéia.
Essa conversa sobre podcast me fez pensar na velha história do “nada se cria, tudo se recria”, ação que a internet é especialista em promover.
Quando criança, eu, meus irmãos e primos, tínhamos gravadores de fita k7, e fazíamos "programas de rádio" nessas fitinhas, na maioria das vezes eram zoeiras, comédias, histórias, colocando uma música aqui, outra acolá...dava um trabalhinho mas era divertido. Depois de pronto a gente se trocava as fita e cada um ouvia o programa do outro. O podcast é uma forma de reviver isso de maneira muito mais compartilhada devido a internet.
Quando digo que a tecnologia, principalmente a internet, transforma infantilidade em algo cult, não quero dizer que podcast é infantil. Naquela época das fitinhas, fazer esses programas era coisa de criança e no máximo de adolescente. Acho que havia uma venda onde as pessoas não percebiam o potencial contido nisso, uma venda criada pelo sistema que fazia as pessoas aceitarem só aquilo que era divulgado pela tv e rádio. Essa cegueira cultural ainda acontece e muito. Mas espero que aos poucos as pessoas comecem a perceber que a internet é sim revolucionária, se usada de forma adequada. Nela, você pode expressar o que quiser e como quiser.
Sobre essa revolução que a internet pode proporcionar eu falarei em posts futuros. Mas por enquanto é isso, a tecnologia avança, mas a necessidade de expressão do ser humano é a mesma, é só saber onde canalizar.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Eu fico pê da vida...

Eu também estreando o blog. Bom eu ter este espaço mais livre e menos existencial (em comparação com o meu outro blog, mais íntimo e menos cotidiano).
Aqui posso exorcizar as minhas neuroses de viver nesta sociedade tão chata.

Eu fico pê da vida….
... quando chove. Não porque eu não goste da chuva – está aí algo que adoro – mas pelas pessoas que reclamam da chuva e pelas pessoas que emburrecem 75% com o uso do guarda-chuva.
... quando as pessoas ao meu redor entendem o meu ato de colocar os fones e claramente me concentrar na tela no notebook como um “este é o momento exato para querer puxar conversas bobas e interromper e música e o pensamento desta menina”.
... quando as pessoas contam o que as crianças fofas que elas conhecem fazem. Sobrinhos, afilhados, filhos do vizinho, priminhos. Fala comigo sobre as proezas dos cachorros, das girafas, dos elefantes, mas não fala comigo sobre criança.
... quando fazem cara de espanto com o meu lema “não terei filhos”. Me desculpa se eu tenho capacidade de questionar os dogmas da sociedade e, você, não. Passar bem.
... quando reclamam que vai chover no fim-de-semana/feriado (ou a versão reclamando do sol durante a semana). Eu gosto de chuva, eu gosto de frio e não, não sou depressiva nem emo, sou só diferente.
...quando reclamam que está um frio absurdo com o termômetro marcando 17 graus. Frio absurdo faz na Finlândia, não neste país tropical dos infernos.
... quando as pessoas resolvem discutir assuntos de telejornal. Todos com as mesmas opiniões, claro.
... quando as pessoas resolvem discutir reality shows. E também quando as pessoas realmente acreditam que eles sejam reality.
... quando ouço histórias intermináveis sobre o planejamento e concretização do casamento. Vestido branco, para mim, é roupa de fantasma do filme do Tim Burton. Padre, para mim, é um cara mal resolvido que preferiu negar todos os instintos fundamentais de ser-se humano. Igreja, para mim, é refúgio de ignorantes. Conversa comigo sobre a sua cerimônia hindu, xintoísta, budista, canina, mas não me venha contar do casamento-tradicional-católico. Nojo.
... quando falam de religião. O mais perto de contestador que as pessoas conseguem chegar é aquele meio-católico meio-espírita, blá-blá-blá. Me ignora, por favor.
... o comentário “como você casou cedo!” (normalmente seguido do comentário “e o neném, quando chega?”. Não sei, pergunta para a Angelina Jolie).
... quando os homens viram para olhar mulheres na rua. Tão looser.
... quando aquele amigo homem tenta transmitir a imagem de “sou protagonista de um filme noir”: conta histórias da carochinha sobre suas relações amorosas-sexuais-emocionantes (de uma noite só, pois ele é um homem livre e do mundo), com mulheres à lá Bond Girls, em lugares inusitados e, lógico, de madrugada e regado a bebida. Ahã, I believe in Harvey Dent too.
... quando alguém volta daquelas viagens padrão de lua-de-mel e quer mostrar as fotos. Se você já viu as fotos de 1 casal, já viu de todos: Nordeste, fotos de biquíni com blusinha + bermuda + óculos de sol, sempre em frente aos pontos turísticos da praia. Deveriam vender essas fotos prontas, só com o espaço para colocar o rosto. Seriam kits mais ou menos assim:
Kit Natal: 15 fotos por R$ 50
Kit Maceió: 20 fotos por R$ 49,99
E assim por diante.
... papo cabeça de gente pseudo-intelectual. Prefiro fingir que sou burra a participar dessa briguinha de egos.
... quando discutem-se assuntos tabus. As opiniões das pessoas parecem aqueles pacotes de figurinhas: vez ou outra aparece uma figurinha nova, mas é sempre meio sem graça, e 99% das figurinhas são repetidas e todo mundo já tem.

E isso é só o começo. Posso fácil fácil substituir a Fernanda Young no programa dela. Quem sabe me contratam.

Ruh Ribeiro (
http://ruhribeiro.blogspot.com)

sábado, 25 de abril de 2009

I just do things

Primeiro post. E é como uma quebra de tabu.
Começo esse blog com uma espécie de "mea culpa".
O tragicômico é que sempre fui avesso a essa evolução-tecnológica-super-mega-avançada, achava que a tecnologia já havia chegado a um momento bom para parar, pensava coisas do tipo - "quando eu ficar velho ainda vai ser legal assim, ainda vou ter muita coisa pra fazer..." - queria que a evolução parasse ali, pois achava que as coisas perderiam a graça, que se hoje quase tudo é possível, imagine daqui algumas décadas, tudo seria fácil demais e isso tornaria a vida muito chata.
Lembro quando usei a primeira câmera fotográfica digital. Era precária e usava disquete para armazenagem das fotos (sim aquele famoso disquete 3½, floppy, esse mesmo). Apesar da facilidade, não gostei pois aquilo era muito fácil, qualquer um poderia ter uma, fazer fotos sem preocupação até acertar, e isso me incomodava pois eu era bom com câmeras analógicas e não queria nenhum aventureiro da era digital fazendo mais fotos do que eu, porque convenhamos, fazer fotos com película é caro e se você errar...bom, problema seu, né? Fiquei muito resistente à ideia de ter uma câmera digital bacana por um bom tempo, até que esse ano dei o braço a torcer e comprei uma. Sim é mais fácil fazer fotos com ela porque você pode testar sem medo de ter que pagar um negativo queimado e depois que você fotografa você já pode ampliar a foto na mesma hora, mas a criatividade não vem acoplada à câmera (por mais que os fabricantes tentem fazer fórmulas prontas) e isso é um bom medidor pra saber quem realmente é bom e quem não é.
Minha história com a internet e principalmente com blogs é meio parecida.
Sou designer, mas sempre procurei trabalhar mais com a parte física da coisa, impressão, cores, tintas, facas especiais e por aí vai, tudo isso que você pode pegar na mão depois de pronto. Mas a ironia é que sempre arrumava trabalhos onde a maior parte do tempo desenvolvia coisas pra internet. E a parte do tempo em que fazia coisas pra internet foi aumentando até que hoje meu emprego é absolutamente voltado ao design pra internet, não tem sequer nenhum cartãozinho de visita, nada! Não deixei de gostar da parte impressa, mas aprendi a gostar (bastante) desse "novo" meio. E nem tente pegar na mão meus novos designs porque odeio marca de dedo no meu monitor.
Agora sim a "mea culpa" maior. Os blogs. Ah, os blogs.
Conheço gente que tem blog desde que algum espertinho inventou isso. Achava legal essas pessoas que escreviam e publicavam pros outros verem coisas que pareciam ser tiradas de um diário de adolescente, assim meio sem medo. Ok, nada contra os diários, muito pelo contrário, mas eu não curtia muito essa idéia, meus pensamentos ficavam aqui guardados pois ninguém entenderia eles mesmo, pensava: Você tem um blog? Ok, good for you.
E fiquei nessa, anos e anos e anos pensando, analisando, filosofando, matutando sobre tudo e todos e deixando tudo aqui guardadinho pois muitas vezes quando eu resolvia falar alguma coisa que pensava, a conversa acabava ou porque me achavam muito "revoltado", muito "radical" ou muito "estranho" (as pessoas só conhecem essas 3 palavras pra definir aquilo que acham diferente), portanto as coisas permaneceram guardadas aqui dentro.
Faz um bom tempo em que a maioria dos sites que visito são blogs, percebi que há muito coisa interessante neles e talvez o principal motivo seja porque as pessoas escrevam nele o que pensam, não há nenhum editor formado no curso de jornalismo em 1950 mandando e desmandando, dizendo que isso é forte demais pra ir para o público.
Mais uma vez eu nunca tinha tido vontade de ter blog, achava que não teria o que dizer, não teria pra quem ou porquê dizer. Mas aí que ponderando e incentivado pela pessoa que mais me entende nesse mundo, percebi que tinha sim o que dizer e resolvi me converter e virar um "blogueiro", por mais que essa palavra me irrite. Sou daqueles artistas que pensam demais na sua criações e às vezes a coisa não sai do jeito que é pra ser. Às vezes nem sai. E o blog saiu. É fácil. Pensei, vou ter um. Cliquei e ele estava pronto. Agora é só escrever, não precisa fechar um pdf, mandar pra gráfica, fazer prova, revisar, imprimir, encardenar, distribuir... Preciso concordar com o Coringa do meu querido e finado Heath Ledger, quando tudo faz parte dos planos as coisas podem sair erradas, portanto a partir de agora "i just do things".