segunda-feira, 25 de maio de 2009

Topa ou Não Topa?

Há dias que eu claramente me pergunto: "quero continuar ou quero voltar pro meu lugar?"

- Circo. Quando eu era mais novo eu costumava chamar essas situações de circo. Mas circo é uma palavra empregada de forma errada aqui pois a função do circo é divertir. E por mais que os protagonistas dessas histórias consigam me arrancar risos, o sentido disso tudo não tem nada de cômico.

- Civilizados. - Mas quem? Só se for as formigas. Porque ando vendo coisas que me fazem a acreditar que os humanos não o são.
Situações assim mostram claramente que o humano é um animal. Sim, um animal racional como costumam dizer. Um animal que com inteligência superior a das outras espécies conseguiu "dominar o mundo". E isso foi bom pra alguém? Pro planeta é que não foi.

O humano é um ser tão fraco que precisou inventar um artifício para conseguir dominar os outros de sua espécie: o dinheiro. E com ele surgiu inúmeros atos desprezíveis como puxação de saco, lobby, rabo-preso, e por aí vai mais um monte de maneiras "bacanas" de conseguir (mais) dinheiro. Vence quem juntar mais verdinhas no final.
E aqui o ser-humano volta ao jeito que tudo começou. Matando uns aos outros. O civilizado agindo com instinto selvagem.

Não fico chocado pois não tenho ilusão na bondade do ser humano. O ser humano é um bicho, e como todo animal vai fazer de tudo pra ser o dominante do bando. Mas a forma como o ser humano faz isso é o que me deixa enjoado.

E aqueles que compartilham o que sinto, vivem um dilema: esquecer tudo isso e ir para o meio do mato ou tentar superar alguns fatos em troca de certos confortos?
Me vejo conseguindo a versão tupiniquim do "american dream" que é nada mais nada menos que o "sonho da casa própria". Então por enquanto continuo por aqui, girando a roleta. Mas um dia vou querer parar e voltar pro meu lugar.

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A propósito, assistam ao filme "Na Natureza Selvagem" (Into the Wild). O estupendo filme, dirigido e escrito pelo estupendo ator (e diretor) Sean Penn, com uma estupenda trilha sonora feita por Eddie Vedder e com a estupenda interpretação de Emile Hirsh.
Não vou falar muito pra não estragar a experiência. A dica que dou é: em hipótese algume leiam a sinopse. Ela é péssima e parece escrita por alguém que acabou de assitir a um mix de "curtindo a vida adoidado" com "caçadores da arca perdida".
Se você é daqueles que entendeu algo do que eu quis dizer ali em cima, preparem-se, pois após assistir a esse filme, você vai se perguntar "what the fuck am i doing..." todas as vezes que o seu despertador tocar pela manhã.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Palavras que irritam

(Post para distrair em um dia chatinho.)

Existem algumas palavras que, lidas ou ouvidas, me irritam. São palavras que vem carregadas com petulância, com arrogância ou com qualquer tipo de “clima” que serve como uma auto-afirmação para quem a diz/escreve.

Balada: Com certeza, é alguma gíria que foi divulgada por novela ou qualquer um desses programas de massa para jovens. Não me interessa se veio da Malhação ou do Big Brother, o que me interessa é quem a diz: é um jeito fácil e socialmente identificável de dizer “olha como minha vida é boêmia, olha como sou f**”.
Opção não-irritante: festa, festinha, oba-oba.

Bombando: É a morte quando a “balada” estava “bombando”. É quando me aproximo de Hitler e seus ensinamentos. Não só o fulano precisou me contar da “balada”, como, não contente, precisou me mostrar como a vida dele é o máximo pelo fato da balada estar “bombando”.
Opção não-irritante: animada, agitada, ou só o simpático e clássico legal.

Nomes de estilos musicais: Na minha época, quando o Top10 da MTV tinha Pearl Jam e Silverchair, era tão mais simples: as opções existentes eram jazz, rock, pop e o resto que eu não gostava – axé e pagode. Hoje, para saber qual o estilo de música que toca em qualquer lugar, eu preciso de ajuda dos universitários (Wikipédia). E, quanto maior o nome e em inglês, mais moderninha é a banda e a pessoa que a conhece.
Opção não-irritante: rock esquisito, um pop meio diferente, música eletrônica de aliens selvagens do futuro selvagem.

Play(ers): Está aí uma palavra que me irrita in so many levels. O primeiro é aquele papo de gente-executiva-do-bussiness que fala que competidores (concorrentes) são os “players” daquele mercado. Minha nossa. O outro é chamar um CD de play. Para mim, CD é CD e ponto: na minha época não tinha vinil, na minha época o cassete já era escasso, então eu só conheço o CD. Falar “álbum” é até aceitável, mas play?!
Opção não-irritante: ouve esse CD aí, ponto.
Obs.: Alguém no mundo ainda houve CDs ou todos já foram abduzidos pelo mp3?

Mercado: Outro papo de gente-executiva-do-bussiness que me irrita, com as variações daqueles que querem se sentir importantes e, quando começam a procurar emprego, dizem que “estão abertos ao mercado”. Aliás, qualquer coisa que venha deste segmento da sociedade, me irrita. Mercado é onde faço as compras do mês.
Opção não-irritante: Para essa gente não existe essa opção.

Aura, perfume, estética e variações: Essas são típicas do pseudo-intelectual ou do pseudo-escritor. São palavras bonitas e que causam impacto, se quem lê não percebe na armadilha que está caindo. “Aura de terror”, “perfume de década de 40”, “estética noir” – por que as pessoas não utilizam sinônimos com o significado certo?
Opção não-irritante: clima de terror, jeitão de década de 40, estilo noir.

Inicializando, startando, tunando e variações: Globalizar, ok. Aprendermos a falar inglês, ok. Transformar palavras em inglês para o português, com direito a conjugações verbais – aí não. Não só é o assassinato do nosso lindo português como é o assassinato do inglês. O pior, ainda, é ouvir estas palavras de quem não sabe falar direito nem um, nem outro.
Opção não-irritante: para tudo existe um verbo em português. Vai por mim.

Vou criar um dicionário. Juro que sou capaz de achar uma infinidade destas palavras.


Ruh Ribeiro (http://ruhribeiro.blogspot.com)