A chuva cai abrupta e com força. Uma cortina branca se faz esfumaçando os lugares ao redor, assim como a minha alma esfumaçada que em alguns momentos fica opaca de tão denso que é o conteúdo por vezes angustiado.
A chuva lava a alma, certo? Eu espero, pois hoje finalmente sinto alguma paz. E com a chega dela parece que não foram só as ruas que limparam, mas algo dentro de mim se torna mais claro.
Pode chover aqui dentro (e isso não é uma metáfora) e neste exato momento essa é a única coisa que me preocupa. Será que as rachaduras do meu quarto são como as rachaduras de meu coração? Em alguns momentos de suposta paz meu coração sangra, assim como sangra o teto de meu quarto quando a chuva cai com a sua mais bela intensidade.
Chuvas de verão são assim: inesperadas, intensas, caóticas.