domingo, 27 de dezembro de 2009

Chuva de verão

A chuva cai abrupta e com força. Uma cortina branca se faz esfumaçando os lugares ao redor, assim como a minha alma esfumaçada que em alguns momentos fica opaca de tão denso que é o conteúdo por vezes angustiado.

A chuva lava a alma, certo? Eu espero, pois hoje finalmente sinto alguma paz. E com a chega dela parece que não foram só as ruas que limparam, mas algo dentro de mim se torna mais claro.

Pode chover aqui dentro (e isso não é uma metáfora) e neste exato momento essa é a única coisa que me preocupa. Será que as rachaduras do meu quarto são como as rachaduras de meu coração? Em alguns momentos de suposta paz meu coração sangra, assim como sangra o teto de meu quarto quando a chuva cai com a sua mais bela intensidade.
Chuvas de verão são assim: inesperadas, intensas, caóticas.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Fantasmas

Tenho andando por lugares tão distantes de mim.
Não sei qual tem sido a maior dificuldade, mas todos os dias que chego aqui sou abraçado por uma sensação depressiva muito forte. Aqui não é meu lugar, sinto muito meu amigo, mas não me sinto em meu lar. Sinto falta da minha cama e do cheiro que exalava dos lençois. Sinto falta de me sentir pertencendo a algum lugar. Sinto falta da certeza. Há tanto tempo que não durmo de verdade...

Há tantas perguntas para tão poucas respostas. Será que faço perguntas demais? Não sei viver sem fazê-las. E quando a maioria delas não são respondidas, fico assim: confuso, perdido.
Enquanto isso vou machucando pessoas que nunca imaginei machucar. Fazendo sofrer a pessoa a quem prometi proteger. Deveria tatuar uma palavra em letras garrafais no meu corpo: PERIGO! Assim todos saberiam que não devem se aproximar de mim.

Ainda não consegui produzir nada... nenhuma arte. Tanta coisa pra sair de mim e nem ao menos uma foto. O que está acontecendo? Estou exausto. Preciso parar por um tempo, mas simplesmente não consigo. Agora entendo o porquê tanta gente vive agitada, mal pára em casa. Eu suspeitava, mas agora tenho certeza: medo de fantasmas. É quando estamos sozinhos que eles aparecem. Saem de dentro da gente. Parece que estou com medo deles. E eu que sempre fui tão corajoso. Preciso enfrentá-los sozinho. Será que consigo? Ás vezes é o que desejo, mas não é o que consigo. Sozinho. Preciso descobrir mais o significado dessa palavra.