segunda-feira, 20 de julho de 2009

27 Anos

Na adolescência eu e um amigo queriamos ter uma banda. Esse meu amigo era uma pessoa inteligente e "estranha". Essas características fizeram dele a pessoa mais criativa e autêntica que eu conheci na época.
Ele dizia que aos 27 anos cumpriria seu legado criativo e morreria. Assim como nossos queridos Janis, Jim e Kurt.
Hoje, aos 30 anos, ele não poderia ser uma pessoa mais comum. Daqueles que encontramos no ônibus, absorvido em seus pensamentos, preocupado se seu salário de sub-emprego consiguirá sustentar sua família.
O que aconteceu com aquele discípulo de Rimbaud? Onde foi parar aquela pessoa criativa? E a autênticidade? Ao que parece, morreu aos 27 anos.

Há 2 meses completei 27 anos. E há algum tempo tenho sentido que estou morrendo.
Chega uma hora que o mundo nos obriga a deixar de lado a nossa essência e nos transforma num adulto chato e vazio.
Tenho feito e me preocupado com muitas coisas de "adulto", e cansei. Vou parar por aqui. Sem perceber, somos forçados a girar na mesma rotação que todos os outros elementos. Mas há elementos que possuem rotação própria e eu sou um deles.

Começamos a envelhecer e as pessoas a nossa volta começam a morrer. Um a um.
Nesta tarde foi meu tio. Um cara que talvez tenha desistido de ser adulto um pouco tarde.
Me pareço com ele talvez mais do que eu goste de admitir. E silenciosamente ele me deixou uma importante lição que ninguém foi capaz de me dar.

Poucas pessoas nascem com o espírito livre. A maioria emudece sua essência, e aqueles que não suportam, desperdiçam suas vidas de uma forma ou de outra. Kurt Cobain foi uma vítima da fábrica de adultos. Não quero ser como ele, nem como meu amigo e nem como meu tio.

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Agora você faz parte do Universo. Aproveite como só você sabe aproveitar.

terça-feira, 7 de julho de 2009

M&M Genuíno

O fim do mundo está mesmo chegando. Hoje me deparei com a "homenagem" mais ofensiva que poderia ser feita a minha querida Marilyn Monroe: Estou indignada in so many levels.
1. Quem é Mulher Melancia para a história? Para a representação do imaginário feminino universal? Na contribuição com o movimento das mulheres?
2. Por que moro em um país onde uma mulher vulgar e absolutamente inculta se torna capa de uma revista?

3. Por que existe público para um absurdo desses?

4. Quem aqui realmente conhece a profundeza e as várias dimensões da minha querida Marilyn, e que consegue ir além das dezenas de estereótipos que, injustamente, ela tem?


Juro que às vezes preferia não fazer parte deste mundo para presenciar este tipo de afronta.

Preferia fazer parte de uma era em que os conceitos de beleza fossem mais genuínos, que a importância da cultura e inteligência fossem mais importantes e, sobretudo, numa era em que as pessoas fossem mais dignas.
Tem coisas que eu simplesmente não acredito que possam estar acontecendo.


Aqui sim vemos uma grande e brilhante mulher.

Ruh Ribeiro (http://ruhribeiro.blogspot.com)