quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Undead!

Morre um dos maiores artistas do mundo: Alexander McQueen.
Uma mente perturbada e esquisita não poderia deixar de ser criativa e genial como a dele. Fará muita falta nesse mundo mediocre.
Se tornará um mito, como nasceu pra ser.

MacQueen is dead! Undead, undead, undead...



domingo, 27 de dezembro de 2009

Chuva de verão

A chuva cai abrupta e com força. Uma cortina branca se faz esfumaçando os lugares ao redor, assim como a minha alma esfumaçada que em alguns momentos fica opaca de tão denso que é o conteúdo por vezes angustiado.

A chuva lava a alma, certo? Eu espero, pois hoje finalmente sinto alguma paz. E com a chega dela parece que não foram só as ruas que limparam, mas algo dentro de mim se torna mais claro.

Pode chover aqui dentro (e isso não é uma metáfora) e neste exato momento essa é a única coisa que me preocupa. Será que as rachaduras do meu quarto são como as rachaduras de meu coração? Em alguns momentos de suposta paz meu coração sangra, assim como sangra o teto de meu quarto quando a chuva cai com a sua mais bela intensidade.
Chuvas de verão são assim: inesperadas, intensas, caóticas.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Fantasmas

Tenho andando por lugares tão distantes de mim.
Não sei qual tem sido a maior dificuldade, mas todos os dias que chego aqui sou abraçado por uma sensação depressiva muito forte. Aqui não é meu lugar, sinto muito meu amigo, mas não me sinto em meu lar. Sinto falta da minha cama e do cheiro que exalava dos lençois. Sinto falta de me sentir pertencendo a algum lugar. Sinto falta da certeza. Há tanto tempo que não durmo de verdade...

Há tantas perguntas para tão poucas respostas. Será que faço perguntas demais? Não sei viver sem fazê-las. E quando a maioria delas não são respondidas, fico assim: confuso, perdido.
Enquanto isso vou machucando pessoas que nunca imaginei machucar. Fazendo sofrer a pessoa a quem prometi proteger. Deveria tatuar uma palavra em letras garrafais no meu corpo: PERIGO! Assim todos saberiam que não devem se aproximar de mim.

Ainda não consegui produzir nada... nenhuma arte. Tanta coisa pra sair de mim e nem ao menos uma foto. O que está acontecendo? Estou exausto. Preciso parar por um tempo, mas simplesmente não consigo. Agora entendo o porquê tanta gente vive agitada, mal pára em casa. Eu suspeitava, mas agora tenho certeza: medo de fantasmas. É quando estamos sozinhos que eles aparecem. Saem de dentro da gente. Parece que estou com medo deles. E eu que sempre fui tão corajoso. Preciso enfrentá-los sozinho. Será que consigo? Ás vezes é o que desejo, mas não é o que consigo. Sozinho. Preciso descobrir mais o significado dessa palavra.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O homem de dois corações

Sinto como se eu tivesse dois corações.

Em um há uma faca fincada. E ela permanece ali por algum tempo sem doer, quase me esqueço que existe algo pressionando meu coração, mas a qualquer toque a dor é aguda. Sei que quando arrancar ela do meu peito a dor será nauseante, e sangrarei até (quase) a morte.

O outro coração é novo, está aprendendo a viver. Como um irmão mais novo, muitas vezes ele segue o mais velho. Com espírito aventureiro devido a sua juventude, algo diz que em breve ele se machucará. Há uma faca apontando pra ele também. Uma faca que ameaça, mas que não se sabe ao certo quando golpeará.

Eu tenho duas mãos.
Em uma há uma faca. Não outra já não há.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

HURT

I hurt myself today
To see if I still feel
I focus on the pain
The only thing that's real

The needle tears a hole
The old familiar sting
Try to kill it all away
But I remember everything

What have I become?
My sweetest friend
Everyone I know goes away
In the end

And you could have it all
My empire of dirt

I will let you down
I will make you hurt..

I wear this crown of thorns
Upon my liar's chair
Full of broken thoughts
I cannot repair

Beneath the stains of time
The feelings disappear
You are someone else
I am still right here

What have I become?
My sweetest friend
Everyone I know goes away
In the end

And you could have it all
My empire of dirt

I will let you down
I will make you hurt

If I could start again
A million miles away
I would keep myself
I would find a way

Composição: Trent Reznor

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Antichrist - Compartilhando a cama

Naquela noite ele foi ao cinema. Assistiu Anticristo de Lars Von Trier.
Foi dormir incomodado. Algo não estava certo naquele quarto.
Não estava sozinho na cama. Algo acariciou sua cabeça enquanto dormia.
Acordou assustado. Sentiu algo macio no travesseiro. Viu uma sombra mas não distinguiu o que era.
Ascendeu a luz e demorou pra entender o que realmente estava ali.
Mesmo sem compreender ele constatou. Um morcego. Um morcego em sua cama.

Antichrist - Luto (grief)

Fossilizado.
Meus lutos sempre foram envolvidos por uma estranha calma. Esse não é diferente. Me sinto anestesiado, quase entorpecido, flutuante. É como se eu não estivesse aqui. Mas às vezes caio e bato forte contra o chão. Eu choro. Um choro dolorido. Sinto uma mão pressionando meu peito por dentro. Minha própria mão! Nessas horas a dor é insuportável! Tento me manter longe dela por enquanto, mas uma hora sei que será inevitável, e então o Caos Reinará!

São dias confusos esses.
Sentimentos misturados por dentro e por fora. Tudo está revirado. Quase não páro para sentir o que está acontecendo. Apenas caminho. Mas há espaços sem volta nessa estrada. Vai piorar? Sim, vai piorar.

Os dias podem se tornar mais confusos e a estranha sensação de leveza e a estranha felicidade que sinto em alguns momentos podem ser substituídos pela dor.
Ainda é luto.
Sinto que todo esse choque de sentimentos fará a casca do fóssil rachar e rachar e rachar, até se partir em milhares de pequenos pedaços. De dentro sairá um novo eu.
Eu preciso dessa descoberta. Que seja então com dor.