Primeiro post. E é como uma quebra de tabu.
Começo esse blog com uma espécie de "mea culpa".
O tragicômico é que sempre fui avesso a essa evolução-tecnológica-super-mega-avançada, achava que a tecnologia já havia chegado a um momento bom para parar, pensava coisas do tipo - "quando eu ficar velho ainda vai ser legal assim, ainda vou ter muita coisa pra fazer..." - queria que a evolução parasse ali, pois achava que as coisas perderiam a graça, que se hoje quase tudo é possível, imagine daqui algumas décadas, tudo seria fácil demais e isso tornaria a vida muito chata.
Lembro quando usei a primeira câmera fotográfica digital. Era precária e usava disquete para armazenagem das fotos (sim aquele famoso disquete 3½, floppy, esse mesmo). Apesar da facilidade, não gostei pois aquilo era muito fácil, qualquer um poderia ter uma, fazer fotos sem preocupação até acertar, e isso me incomodava pois eu era bom com câmeras analógicas e não queria nenhum aventureiro da era digital fazendo mais fotos do que eu, porque convenhamos, fazer fotos com película é caro e se você errar...bom, problema seu, né? Fiquei muito resistente à ideia de ter uma câmera digital bacana por um bom tempo, até que esse ano dei o braço a torcer e comprei uma. Sim é mais fácil fazer fotos com ela porque você pode testar sem medo de ter que pagar um negativo queimado e depois que você fotografa você já pode ampliar a foto na mesma hora, mas a criatividade não vem acoplada à câmera (por mais que os fabricantes tentem fazer fórmulas prontas) e isso é um bom medidor pra saber quem realmente é bom e quem não é.
Minha história com a internet e principalmente com blogs é meio parecida.
Sou designer, mas sempre procurei trabalhar mais com a parte física da coisa, impressão, cores, tintas, facas especiais e por aí vai, tudo isso que você pode pegar na mão depois de pronto. Mas a ironia é que sempre arrumava trabalhos onde a maior parte do tempo desenvolvia coisas pra internet. E a parte do tempo em que fazia coisas pra internet foi aumentando até que hoje meu emprego é absolutamente voltado ao design pra internet, não tem sequer nenhum cartãozinho de visita, nada! Não deixei de gostar da parte impressa, mas aprendi a gostar (bastante) desse "novo" meio. E nem tente pegar na mão meus novos designs porque odeio marca de dedo no meu monitor.
Agora sim a "mea culpa" maior. Os blogs. Ah, os blogs.
Conheço gente que tem blog desde que algum espertinho inventou isso. Achava legal essas pessoas que escreviam e publicavam pros outros verem coisas que pareciam ser tiradas de um diário de adolescente, assim meio sem medo. Ok, nada contra os diários, muito pelo contrário, mas eu não curtia muito essa idéia, meus pensamentos ficavam aqui guardados pois ninguém entenderia eles mesmo, pensava: Você tem um blog? Ok, good for you.
E fiquei nessa, anos e anos e anos pensando, analisando, filosofando, matutando sobre tudo e todos e deixando tudo aqui guardadinho pois muitas vezes quando eu resolvia falar alguma coisa que pensava, a conversa acabava ou porque me achavam muito "revoltado", muito "radical" ou muito "estranho" (as pessoas só conhecem essas 3 palavras pra definir aquilo que acham diferente), portanto as coisas permaneceram guardadas aqui dentro.
Faz um bom tempo em que a maioria dos sites que visito são blogs, percebi que há muito coisa interessante neles e talvez o principal motivo seja porque as pessoas escrevam nele o que pensam, não há nenhum editor formado no curso de jornalismo em 1950 mandando e desmandando, dizendo que isso é forte demais pra ir para o público.
Mais uma vez eu nunca tinha tido vontade de ter blog, achava que não teria o que dizer, não teria pra quem ou porquê dizer. Mas aí que ponderando e incentivado pela pessoa que mais me entende nesse mundo, percebi que tinha sim o que dizer e resolvi me converter e virar um "blogueiro", por mais que essa palavra me irrite. Sou daqueles artistas que pensam demais na sua criações e às vezes a coisa não sai do jeito que é pra ser. Às vezes nem sai. E o blog saiu. É fácil. Pensei, vou ter um. Cliquei e ele estava pronto. Agora é só escrever, não precisa fechar um pdf, mandar pra gráfica, fazer prova, revisar, imprimir, encardenar, distribuir... Preciso concordar com o Coringa do meu querido e finado Heath Ledger, quando tudo faz parte dos planos as coisas podem sair erradas, portanto a partir de agora "i just do things".
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